Oba uma filipina…..não, não é uma pessoa das Filipinas!

January 12th, 2014 por

“Olha, olha….há quanto tempo não sou brindada com uma filipina!” Pergunto – como era mesmo que fazíamos quando crianças e encontrávamos uma?

“Parte-a ao meio, divide com quem está contigo e faz um desejo” – responde a tia.

Assim, partimos a filipina, fizemos o desejo, colocamos nosso pedacinho na boca, mastigamos, engolimos  e, agora resta aguardar! Voltei no tempo, senti-me feliz pela cumplicidade do momento, mas de imediato, caí na realidade ali compartilhada com aquelas senhora com quem dizem que sou tão parecida, mas com quem, devo  aprender hoje a não querer ser, quando o amanhã chegar!

Até agora, acredito que 99% das pessoas que leram estas primeiras frases não entenderam absolutamente nada da minha conversa com a tia. Porém, no título já deixei a pista, a dizer que uma filipina, não é ninguém das Filipinas e, nem poderia ser, pois senão estaríamos no “hall” dos condenados por canibalismo. Então vamos lá: todos saberão de que se trata e, tenho a certeza de que muitos também já fizeram a brincadeira do desejo, principalmente se de ancestrais portugueses.

Imagine-se a comer uma tangerina, quando entre tantos gomos suculentos e grandes, aparece um pequenino filhote de gomo, encrostado e, firmemente agarrado à” mãe gomo”, exatamente como um bebe no ventre na mãe. Pimba…..isso é uma filipina! A razão do nome não sei, mas em busca de explicações, na internet, deparei-me com um blog  OMNIA MEA MECUM PORTO.  Logo não vale a pena siar por aqui a escrever sobre o tema e, quem quiser vá lá para ler mais!

Fico por aqui, apenas com o meu desejo que deveria ser segredo, assim diz a brincadeira, mas que no caso não se aplica, pois quero mesmo é extravasar!

Temos uma certeza – a partida ou a morte física. Certa e única verdade que me dou o direito de proclamar! Contra essa, nada podemos fazer, a não ser esperar que chegue, de mansinho ou de repente. Mas chegará! Vivamos portanto cada dia como único. Contudo, se a passagem for por meio de um caminho suave e lento, todos enfrentaremos a “velhice”. Palavra interpretada por muitos como sendo pejorativa, mas que a meu ver só o é, porque ninguém tem a coragem de a enfrentar como se deveria.

Vejamos: preparamos-nos para crescer conduzidos por nossos pais e familiares, quando adultos, escolhemos o que queremos ser como profissão, com quem queremos namorar ou viver junto, quando teremos herdeiros, quando tiraremos férias, como juntaremos dinheiro e tantas outras coisas, mas simplesmente esquecemos-nos de preparar para a grande probabilidade que é a velhice!

Concomitantemente, o mundo não se preparou para ter tantos idosos e, saber lidar com eles virou um desafio maior, não só social, como financeiro e de apoio à doença. Digo doença, pois a probabilidade de idosos saudáveis, numa sociedade em que abordar a prevenção é privilégio de poucos, a maioria dos “velhos” (deixemos para lá essa de palavra politicamente incorreta. Errado mesmo é não falar sobre o assunto) tem enfermidades. As casas, as ruas, os escritórios, os hospitais, tudo, tudo está absolutamente despreparado para receber os anciãos contemporâneos. Mas pior que a falta de infra-estrutura é a ausência de suporte humano, no qual incluo os próprios idosos que relutaram em acreditar que essa realidade iria batre-lhes à porta. Assim, não se programaram para ambientes adequados, ignoraram que à similaridade dos bebes há a necessidade de supervisão de outro ser e, psicologicamente ignoraram que em todas as fases da vida há mudanças, o que representa que seus herdeiros (filhos, netos e bisnetos) vivem no momento as próprias vidas, que não podem ser interrompidas. Exigir desses a atenção total é ato egoísta de quem talvez nunca tenha se perguntado porque?

Doi! Doi muito ver que a maioria dos idosos vive esses conflitos, até que o tempo pare e os leve para outro nível! Quanto a mim, quero, se possível, aprender com os devaneios e angústias dos outros para certamente ser uma idosa que saiba enfrentar essa realidade melhor, flutuando que nem uma pena pela lembrança dos meus herdeiros sem a obrigação da minha existência. Afinal, cada fase da vida é marcada pela sutileza específica de cada uma.

Este foi meu pedido de desejo quando engoli a minha filipina! Aprender a caminhar para o fim, ou será o começo???!!!

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