Úlceras por pressão em hospitais brasileiros e associação com estado nutricional

June 3rd, 2013 por

Mais de 10 anos já se foram após a publicação do Ibranutri e, dez do ELAN. Que mudou em termos de prevalência do estado nutricional? Nada….O trabalho da Patrícia Brito intitulado “Prevalence of pressure ulcers in hospitals in Brazil and association with nutritional status–a multicenter, cross-sectional study.” http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23466049 mostra exatamente isso. Ademais revela a forte associação entre estado nutricional e úlceras por pressão.

O trabalho foi foco da dissertação de mestrado e nos gerou o prémio da Nutrition – John M. Kinney  award, para o melhor artigo da área clínica dos últimos dois anos.

Segue o resumo em Português. Quem desejar a dissertação, pode também pedir-me, que eu envio!

O presente estudo teve como objetivo determinar a prevalência de úlceras por pressão (UP) em pacientes hospitalizados na rede pública e privada brasileira, mensurando  concomitante associação com o estado nutricional. Avaliaram-se outros fatores de risco que podem estar associados ao desenvolvimento da UP como tempo de internação, idade, imobilidade, presença de diabetes, câncer e infecção, tipo de tratamento cirúrgico ou clínico, sexo, cor, tipo de instituição, uso de terapia nutricional, prognóstico e especialidade de internação. Os pacientes foram aleatoriamente selecionados em treze hospitais gerais de oito cidades contemplando sete Estados, sendo Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraná, Mato Grosso e Amazonas. O estudo foi transversal. Não foram considerados leitos de maternidade, de terapia intensiva, pediátricos e de bloco cirúrgico. A Avaliação Global Subjetiva foi utilizada para identificação nutricional dos pacientes. Outras ferramentas complementares de avaliação nutricional como índice de massa corporal (IMC), prega cutânea triciptal (PCT), circunferência do braço (CB), circunferência muscular do braço (CMB) e dinamometria manual (DM) também foram utilizadas.  A gravidade das UPs foi baseada na classificação internacional proposta pelo guia de diretrizes de prevenção e tratamento EPUAP/NPUAP. Esta classifica as úlceras entre estágio I e IV. O software aplicativo científico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 13.0 foi utilizado para as análises estatísticas.

O estudo envolveu 473 pacientes sendo a idade média 58,36 ± 18,52 anos (mediana 61 anos) e 53,3% do sexo masculino. Os idosos representaram 39,9% dos pacientes. A maioria dos pacientes foi classificada como da cor branca (68,8%) e proveniente de hospitais particulares (41,4%). Diabetes, infecção e câncer estiveram presentes em 16,3%, 14,8% e 23,5% dos pacientes, respectivamente. A prevalência de UP foi 16,9% e de desnutrição 52,6% sendo 22,4% desnutridos graves. A prevalência de pacientes com idade superior a 65 anos com UPs foi 28,3% com Razão de Prevalência (RP) de 2,34 em relação aos de idade inferior a 65 anos (p<0,05). A desnutrição mostrou associação forte e significante com a presença de UP (RP 10,46; 95%; IC 3,25 – 33,69) bem com a imobilização (RP 74,96; 95%; IC 24,18 – 232,36).  Os pacientes desnutridos também tiveram piores estágio de UP (p<0,05). Fatores como tipo de instituição filantrópica e pública e especialidades neurológica e ontológica, ambosagrupados, também foram associados com a presença de UP, aumentando as possibilidade de desenvolvimento desta lesão em 2,93 e 6,57, respectivamente (p<0,05). Parcela considerável de pacientes com UP tinham CB, PCT e CMB inferior a 70% do considerado adequado (p<0,05). Quanto à DM, menores valores foram observados dentre os pacientes com UP (p>0,05) e desnutridos (p<0,05). Os pacientes clínicos mostraram-se mais infectados, mais acamados, mais desnutridos, mais graves e permaneceram mais tempo internados (P<0,05). Observou-se ainda neste trabalho que o tempo de internação de 8 a 15 dias e superior a 16 dias, os pacientes de diagnósticos clínicos, o uso de terapia nutricional e a presença de câncer e de UP foram fatores de risco para a desnutrição. Conclui-se que a prevalência de pacientes com UP reconhecida nos vários hospitais brasileiros, contemplando as cinco regiões, é alta bem como a prevalência da desnutrição neste grupo é alarmante. A UP é uma intercorrência comum e dispendiosa, porém passível de profilaxia e tratamento. Neste sentido, a implantação de método de avaliação de riscos eficiente para o paciente hospitalizado, considerando todo o período de internação, tanto para identificação dos candidatos a desenvolverem a UP quanto a de desenvolverem desnutrição é de extrema importância.

2 comentários para Úlceras por pressão em hospitais brasileiros e associação com estado nutricional

  1. Maysa Penteado Guimaraes comentou:

    Boa noite Maria Isabel, eu gostaria de receber a dissertação.
    Temos um grupo ativo de estomaterapia e queremos montar protocolos para prevenção de UPPs junto com nossa EMTN
    Obrigada

  2. Viviane Oliveira comentou:

    Prezada Dra. Isabel, Boa Noite!
    Sou aluna do curso de especialização em Terapia Nutricional e Nutrição Clínica do Ganep, Turma 2014/2015 Belo Horizonte. Estou elaborando o meu trabalho de conclusão de curso com o tema “Intervenção Nutricional e Úlcera por Pressão”. Este tema faz parte da minha rotina e prática profissional. Gostaria de receber a Dissertação.
    Muito Obrigada ! Atenciosamente,
    Viviane Oliveira

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