May 19th, 2013 por

Nada mais me surpreende! Sem dúvida a experiência do tempo, para não dizer da idade, tem-me mostrado como é fácil ludibriar o outro, principalmente quando se busca, a qualquer preço, o imediatismo ou o sonho do corpo ideal….não perfeito!

Afinal, corpo prefeito é aquele saudável e funcional! E não, obviamente, aquele que se sonha ter porque “fulano e ciclano” que vivem da imagem, vendem como sendo ideal. Somos mortais e, como tal, cada um tem genética para “isto ou para aquilo”, que certamente determinará o fenótipo de cada um! Ainda bem…. porque, senão, o mundo seria tão vazio, se tivesse sido totalmente dominado pela beleza de Marilyn Monroe e companhia. Que bom que existiram Freud, Nietzsche, Churchill, Coco Chanel, Edith Piaf, Fred Mercury, Cazuza, Vinicius de Moraes e tantos outros.

Coincidentemente, esta semana, tive a oportunidade de ouvir duas histórias: a do jovem de trinta e poucos anos, com necessidade extrema de autofirmar-se e, em busca de resultados instantâneos, não só para o corpo, como para a alma. Aliás, acho que a última é vítima maior dessa urgência retratada na foto abaixo. Essa contempla todos os “nutrientes” em uso, alguns deles em duplicidade de princípio ativo e usados para  funções distintas. O lado ainda mais triste é que todos foram prescritos por vários profissionais: médicos, nutricionista e  fisioterapeuta/acumputurista.

A magia do inimaginável!

A outra história é a de um amigo, contemporâneo de idade e, que como eu, é desportista diário. Foi orientado, por profissional,  a usar suplementos para ganhar massa muscular, reduzir o processo de envelhecimento e alcançar melhor bem estar. Bem que tentei não opinar….mas o sentimento fiel para com alguém especial, falou mais alto.

Na verdade, muito me preocupam estas teorias, pois corremos o risco, se isso for de fato verdadeiro, de incorporar “Fénix” e, assim, o mundo ficará superlotado!!!

Desde que o Homem existe que é omnívoro. Sempre ingerimos carne  (fomos caçadores de “carcassas”), juntamente com cereais (principalmente, quando deixamos de ser nómades), frutas, raízes, folhas e tudo o mais que era disponível. A evolução trouxe a pílula, os pó e os líquidos concentrados contendo nutrientes….não, alimentos.

O alimento faz bem (ou mal, quando inadequado ou em excesso) ao corpo e à alma! Comer é um ato social que está vinculado ao prazer, à amizade, aos negócios e, essencialmente, à família.

De sorte, que ao  olhar por essa ótica, para mim simples, incessantemente pergunto: porque então se prescreve tanto o “anti-natural”?

Respostas há várias!

Tempos atrás, um aluna minha, Janaína Lavalli Goston (essa sim, pode me usar como referência para se promover, ainda que não necessite, pois é boa de serviço. Vale conferir (www.janainagoston.com) fez seu trabalho de mestrado exatamente avaliando o uso de suplementos alimentares em praticantes de atividade física de academias de BH (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20004078). As conclusões do trabalho de mestrado da Jana foram as seguintes (disponível no site de teses da CAPES):

“- a prevalência do uso de suplementos nesta população apresentou-se elevada levando em consideração de que tal prática só deveria ocorrer, em situações especiais, não supridas pela alimentação habitual;

– a população avaliada constituiu-se de pessoas de ambos os sexos, de várias classes sócio-educacionais, saudáveis que praticavam atividade física regularmente há mais de um ano a fim de ter hábitos saudáveis e/ou evitar sedentarismo. A associação simultânea de dois ou mais produtos ocorreu em 43,5% dos participantes da presente pesquisa. Os suplementos mais consumidos foram aqueles à base de proteínas e aminoácidos. Já os mais consumidos com maior freqüência (≥ 5 vezes por semana) foram complexos polivitamínicos e de minerais e os naturais/fitoterápicos. O tempo e a freqüência da prática esportiva influenciaram diretamente na decisão de consumir suplementos nutricionais;

– o consumo de suplementos foi influenciado pelo sexo e idade da população pesquisada. Indivíduos mais jovens (< 30 anos) e do sexo masculino preferiram consumir produtos associados ao aumento de massa muscular, como os ricos em proteínas e aminoácidos. Já o uso de complexos polivitamínicos/minerais e suplementos classificados como naturais e fitoterápicos prevaleceu entre as mulheres e naqueles com mais de 45 anos. As mulheres o fizeram, em sua grande maioria, com intenção de perder peso. Entre os mais velhos a justificativa principal para o consumo foi prevenir doenças futuras;

– o consumo de suplementos ocorreu, em geral, sem a devida orientação profissional. Auto-prescrição, indicação de amigo(s), vendedor da loja de suplementos, propagandas e indicação por profissionais de educação física predominaram (55%) sobre a escolha dos produtos pelos esportistas, apesar de 74% das academias possuírem o profissional nutricionista;

– a satisfação e a percepção das pessoas com peso corporal influenciaram diretamente a decisão dos esportistas em consumir suplementos. Pessoas satisfeitas com peso buscaram produtos ligados ao desenvolvimento de músculos como os ricos em proteínas (59,5%) e creatina (66,7%). As insatisfeitas relataram consumir shakes para substituir refeições (76%) ou fizeram uso de suplementos que prometem perda de peso ditos “queimadores de gordura” (68%);

– mais da metade dos esportistas (55%) da presente pesquisa relatou ter obtido o resultado desejado com o uso de suplementos. Entretanto, uma parcela deste público (5,5%) afirmou ter sentido mal estar com o consumo dos mesmos;

– independente do nível sócio-econômico e escolar dos freqüentadores de academias de Belo Horizonte, o consumo e gasto com suplementos ocorreu, especialmente, entre os homens.

Sendo assim, os resultados aqui demonstrados revelam que o uso de suplementos é indiscriminado, certamente decorrente do fácil acesso aos mesmos e sob grande influência do marketing de terceiros, com base em princípios empíricos não cientificamente comprovados e em detrimento da alimentação balanceada. Torna-se emergente, portanto, a educação nutricional do público em geral, principalmente no ambiente da prática esportiva visando melhorar o grau de informação e garantir segurança na utilização desses produtos. É necessário que sejam feitas campanhas educativas conduzidas por profissionais da saúde, com apoio do governo e da mídia em prol da alimentação balanceada associada ao estilo de vida saudável. A demanda por pesquisas metodologicamente adequadas relacionadas à nutrição esportiva urgem, de forma a ampliar o conhecimento sobre as reais funções e possíveis efeitos benéficos ou adversos que os suplementos nutricionais exercem sobre o desempenho e a saúde geral dos indivíduos.”

Mas e afinal, qual o problema em usar sem necessitar?

O principal: sobrecarga renal! E, obviamente, tudo relacionado, como aumento da incidência de litíase renal etc etc!

Morte aos suplementos? Não “morte” a quem prescreve sem escrúpulos!

 

3 comentários para

  1. Larissa Loures Mendes comentou:

    Simplesmente fantásticas as suas palavras!!!

  2. Isabel Correia comentou:

    Que bom que gostou!

  3. Michele Berbert comentou:

    Adorei o artigo! Principalmente a parte em a sra diz que corpo perfeito é aquele saudável e funcional!

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