Qualidade de vida, atividade física, e acompanhamento nutricional como fator determinante de recuperação de peso após operação de Bypass Gástrico em Y de Roux

September 20th, 2012 por

Avaliação do trabalho acima cujo link é:
http://www.nutritionjrnl.com/article/S0899-9007(11)00048-7/abstract

Autora:Kiara Gonçalves Dias Diniz
Qualidade de vida, atividade física, e acompanhamento nutricional como fator determinante de recuperação de peso após operação de Bypass Gástrico em Y de Roux
A cirurgia bariátrica é considerada eficaz para o tratamento da obesidade grave, sendo a técnica de Bypass Gástrico em Y de Roux (BGYR) o procedimento padrão de sucesso. Essa operação resulta, em geral, na perda de no mínimo 50% do excesso de peso inicial, o que contribui para melhora de comorbidades e qualidade de vida. Melhores resultados são verificados em 18-24 meses após a operação, porém após 60 meses, a incidência de recuperação de peso é grande. Isso está associado com retorno de comorbidades, atividade física reduzida e piora da qualidade de vida. O presente estudo teve como objetivo avaliar os hábitos de vida de pacientes submetidos à BGYR e identificar fatores relacionados à perda e recuperação de peso.
Foi realizado estudo transversal, com pacientes submetidos a operação de BGYR no Hospital das Clínicas/UFMG no período de 1998 a 2008. Dados pré e pós-operatórios foram coletados em prontuário médico e consulta ambulatorial, respectivamente. Os pacientes foram classificados em três categorias, de acordo com o tempo pós-operatório: G1-até dois anos; G2-de dois a cinco anos e G3-mais de cinco anos. Vários questionários foram aplicados, investigando: hábitos alimentares (recordatório 24 horas e questionário de frequência alimentar); perda de peso; melhoria de comorbidades (hipertensão arterial, diabetes, hiperlipidemia e apneia obstrutiva do sono); atividade física e acompanhamento nutricional. Para análise de dados, foram utilizados o teste de Shapiro-Wilk, ANOVA, Kruskal-Wallis, teste exato de Fisher, Qui quadrado e teste de Pearson (SPSS versão 10.0). O nível de significância adotado foi de 5%.
Cem pacientes foram incluídos, G1: 34%; G2 e G3: 33%, [84% sexo feminino (G1:26%; G2:27%; G3:31%); média de idade 45,1±9,9 anos (G1: 45,0±11,0; G2: 41,5±9,6; G3: 48,7±7,6); média de tempo pós-operatório: 45,5±32,6 meses (G1: 12,4±7,1; G2: 39,9±10,3; G3: 85,0±17,8)]. Em relação aos hábitos alimentares a média de ingestão calórica diária foi: 1.152,0±462,0 kcal, sendo que no G1 foi observada baixa ingestão calórica (949,0±334,0 kcal). A média de consumo de macronutrientes foi: carboidratos: 51,1±8,9%; lipídeos: 33,7±7,5%; proteínas: 15,2±4,1%. A ingestão de todos os micronutrientes analisados foi abaix do recomendado, devido à alimentação de má qualidade e grande consumo de lanches, doces e gorduras.
Considerando o peso dos pacientes, a média de IMC (índice de massa corporal) no momento da operação foi de 54,9±8,9kg/m². Antes da operação 98% dos indivíduos foram classificados com obesidade grau 3. Até dois anos após a operação 20% foram classificados como eutróficos ou sobrepeso, entre dois e cinco anos após a operação esse número passou para 36% e após cinco anos, apenas 3% dos pacientes foram classificados como sobrepeso e, nenhum eutrófico. Cinquenta e seis por cento dos pacientes recuperaram o peso (G3 recuperaram 84%), 10% recuperaram entre 2% e 5 % do peso; 17% recuperaram entre 5,1% e 10% e 29% recuperaram mais de 10% do peso.
Antes da operação, 97% dos pacientes apresentavam pelo menos uma comorbidade. Após a operação os valores foram diferentes (G1: 72,7%; G2: 42,4%; G3: 76,5%), sendo que a recuperação do peso está relacionada ao retorno das comorbidades. Antes da operação somente 20% dos doentes praticava atividade física, o que aumentou para 55% após a operação com também aumento da frequêencia das atividades. Os pacientes que realizavam atividade física foram os que tiveram menor recuperação de peso. Somente 53% dos indivíduos relataram ter acompanhamento nutricional após a operação, e com o tempo esse acompanhamento diminuiu sendo que no grupo 3, apenas 3% manteve o mesmo.
Desta forma, conclui-se que a operação resulta em perda satisfatória de peso, porém a dificuldade de manutenção dessa perda é grande, principalmente após cinco anos de operação. Isso é devido à não mudança de estilo de vida dos pacientes, principalmente no tocante à qualidade da dieta, ao sedentarismo e à falta de acompanhamento nutricional.

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