Vamos parar de loucuras com a dieta, principalmente em quem tem câncer?

April 19th, 2017 por

Que os modismos estão em alta, já todos sabem! Que o coitado do leite e derivados, assim como a farinha de trigo e tudo que é feito com a mesma são os “vilões” também já se sabe, ainda que sem nenhuma base científica. Agora, que tudo isso está a ser levado a “sério” por alguns profissionais que cuidam de enfermos com câncer, extrapola a minha capacidade de entender e ficar calada.

Pois é! Mas, essa é uma realidade contemporânea e, que em nada contribui com a manutenção ou a recuperação do estado nutricional desses pacientes. As taxas de desnutrição em enfermos com os mais diversos tipos de tumores variam de 30 a 70% no nosso meio, o que não é distinto de dados internacionais. Por sua vez, a desnutrição impacta negativamente no tratamento oncológico, seja esse cirúrgico, quimio ou radioterápico. A cicatrização de feridas, a toxicidade a drogas oncológicas e a alteração da capacidade funcional (andar e fazer atividades físicas regulares) são alguns desses efeitos adversos relacionados com o estado nutricional depauperado. Logo, nutrir adequadamente pacientes com câncer deverá ser parte integral de toda a abordagem terapêutica. Eu disse ADEQUADAMENTE!

Assim, queridos profissionais vamos estudar um pouquinho mais e entender que proibir, sim proibir (até porque, esta palavra deveria ser proscrita do dicionário daqueles que lidam com saúde e doença), leite e derivados, assim como alimentos contendo glúten, para aqueles que não têm contra-indicação para o uso desses é má prática e, coloca em risco a evolução do tratamento, assim como, a própria vida do doente.

Há uns tempos atrás atendi uma paciente que não conseguia recuperar o estado nutricional e funcional depois de ter sido submetida a grande operação, há mais de três meses. Nem ela e nem seus médicos conseguiam entender porquê, já que após esse período era esperado que a melhora geral ocorresse, principalmente considerando que a doente relatava estar a comer bem. Porém, ao averiguar o que era o “tal comer bem”, não havia como sê-lo. Afinal, a senhora estava a seguir uma dieta que se qualquer um  a adotasse, iria perder peso e, quiça, capacidade funcional, em decorrência das restrições e  da importante perda de massa muscular.

Geennnttttteeeee…..quer estar na moda? Então, tratem os que acreditam em todas as falácias e têm dinheiro, mas não entrem no território complicado da doença, em especial, não tirem as “oportunidades” que ainda possam existir para quem luta pela vida! Isto, para não falar no prazer!

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