Nem sempre o que se vê é real!

April 22nd, 2015 por

Ruas calmas e vazias, assim era a manhã de 21 de Abril, em Belo Horizonte, data marcante no Brasil, por celebrar Tiradentes e, coincidentemente, Tancredo Neves. Eu e Nick juntos, em nosso passeio matinal, somos abordados por figura exótica, no mínimo suspeita, mas que imediatamente adianta:

– “Dona, não precisa ter medo, não vou fazer mal à senhora. Só preciso contar uma coisa verdadeira – trabalho com reciclagem de latas e, meu carrinho quebrou. Será que vc me ajuda com R$16,20 para pagar o conserto?”

Pimba, fui apanhada quase que de surpresa nessa cena comum na maioria de nossas cidades e,  que faz o pedestre do outro lado da rua parar para verificar se estou a ser foco de violência e, para quem, meu interlocutor diz alto:

– “não precisa ter preconceito, não vou atacar a dona, sou homem honesto. Caramba, como as pessoas são preconceituosas. Eta Brazilsinho!”

Digo-lhe: “moço estou sem dinheiro aqui”.

Contesta: “eu espero a senhora passear com seu cãozinho”.

“Ok, mas vou demorar pelo menos 40 minutos”, respondo.

Prossigo com meu passeio e debato-me sobre o que farei. Decido, vou buscar o dinheiro, acho que é verdade. Mais na frente, deparo-me com um carrinho de supermercado cheio de latas de refrigerante tombado. Seria o do meu interlocutor? Termino a caminhada e vou buscar o dinheiro. Volto de bicicleta e, lá está ele à minha espera.

“Obrigada dona, obrigada. Sou pai de família, tenho duas filhas. Já agora, será que a senhora me dá uma opinião? Minha mulher e eu nos desentendemos porque ela quer deixar a minha filha de 15 anos namorar. Eu não concordo. Discuti muito e minha dona me disse que se eu for embora, ninguém vai cuidar de mim, porque sou feio demais e, espanto todo o mundo.Quem iria cidade de mim? Será que estou errado em discutir com ela?”

Respondo: “Bem, moço, eu comecei a namorar aos 12 anos.”

“Ai dona, o mundo está todo maluco”

Parto com a dúvida se realmente o maluco é o mundo ou ele, ou quem sabe eu? E agora, aqui sentada na sala VIP da Qatar airways em Doha, olho para o lado e vejo, um casal com o filhinho que brinca comigo na linguagem universal de criancinhas (fofo). Ela toda coberta,  faz-me pensar como pode? Eu entraria em desespero, fobia mesmo, pois certamente mal consegueria ver pela fresta do niqab. Mas por outro lado, ela porta no dedo o anel que certamente eu jamais terei e, que devo admitir gostaria de ter! Contrastes!!!!

Ou seja, nem sempre o que se vê é REAL!!!

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