Descobri que sou Palmeirense!!!!

April 19th, 2015 por

Dei-me conta que sou a mais nova Palmeirense do Brasil ao assistir a disputa de penaltis para a decisão de uma das vagas de finalista do Campeonato Paulista. Até eu fiquei surpresa com a minha frenética torcida pelos verdinhos, pois afinal eu gosto mesmo é “do preto no branco” ou do “branco no preto” e, mais uma vez tenho que admitir que o meu Galão da massa é mesmo de garra: 2 x 1 no nosso eterno freguês, o grande Cruzeiro que passa por todos, mas treme ao ver o Atlético! E desta vez, para variar um pouco, foi de virada!!!! 😀  😀

Enfim, mas qual a explicação pela minha preferência Palmeirense, sendo que tenho tantos amigos do “Corinthia” e, meu único grande ídolo também torcia pelo timão???  Quatro letrinhas explicam a minha escolha: L U L A!

Este senhor, a quem nunca, mas nunca mesmo, creditei qualquer confiabilidade, desde que eu recém entrada na Universidade e, ele a começar a carreira política, nos idos 80 do século passado, cruzamos nossas linhas, lá num dos auditórios do ICB (Instituto de Ciências Biológicas) da UFMG. Eu, ainda menina sonhadora, na primeira fila pronta para escutar aquele que despontava como o mais novo líder dos trabalhadores,  convidado para discursar sobre as igualdades sociais, as quais tanto defendia e, por sinal, continuo a defender. Há apenas uma pequena diferença entre eu e alguns: faço, não “proseio”!  Mas, pois é, me desculpem as criancinhas que choraram ao final do jogo (tadinhas, a vida é assim mesmo: um dia perdemos, outro ganhamos, depois perdemos, perdemos e ganhamos de novo. Basta lutar!),  a minha alegria foi mesmo por pensar que esse senhor foi atingido! Mas ao mesmo tempo, me pergunto,  será que algo o afeta? É, “oh pá, tú nunca enganaste-me!”, lá diria meu querido primo Pedro Malho, o preso político, mais esquerda da esquerda que pode existir e, que  nos deixou “capitalista”. Enfim, de qualquer maneira: sou Palmeirense!

Afinal, como disse Miguel Sousa Tavares em Madrugada Suja –  “Mas também sei que vivemos apenas o que nos acontece, não o que sonhámos. Somos resultado das circunstâncias: onde estamos, quando estamos, com quem estamos. E, hoje, temos demasiadas circunstâncias para que tudo se torne simples ou evidente por si mesmo. Muitas vezes podemos escolher e a escolha é-nos quase sempre fatal. ”

Sigo meu caminho com a certeza que isto é verdadeiro, pois neste mês de Abril, quando nos idos do dia 25 de 1974, meu futuro sonhado começou a ser desconstruído, as minhas linhas continuam a cruzar-se com um destino não vislumbrado. Explico alguns exemplos singelos: 1 – tenho que escolher um livro para a viagem à Colombia entre os tantos na fila de espera que vislumbro ler um dia. Alcanço “Madrugada Suja”, sem sequer ler a sinopse que obviamente a li há muito quando o comprei (mais de um ano, certamente). Pois bem, o livro é simplesmente d+ e, o que aborda? O pós da revolução dos cravos, que traçou meu destino, em 1974; 2 – escolho um filme, quero fugir do sofrimento de ver Galo x Raposa,  sem nada conhecer, somente que ganho Oscar de filme estrangeiro de 2015 – Ida. Que filme! Certamente, não para relaxar e sim, confirmar meu pensamento – o destino foi traçado!

O meu também! E hoje, resta-me o silêncio perante a certeza do outro, eternamente sabedor de tudo, cuja escolha, minha, fugiu do sonho de menina. Se fosse religiosa perguntaria: qual o meu pecado? Mas, haverá sempre um Palmeiras, ou melhor um Galão…..

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