Uma palavra resume meu sentimento: angústia!

October 25th, 2014 por

Cor azul! Cruzeiro? (descansem Atleticanos, continuo a ser Galo)

Azul do céu! Preciso olhar para o alto e ter a esperança de vislumbrar o azul, em vez do negro! Por tal, ainda que o vermelho seja minha cor favorita, hoje visto azul! O que gerou o espanto de alguns alunos,  porque além de vestir azul e amarelo, tinha o selinho 45 no peito. Profeeeesssooooraaaaa…….você não combina com isso!

Então, combino com que? Certamente,  que não posso combinar com corrupção, com mentira e, acima de tudo, com desprezo pelas liberdades !

Nesse potencial impasse existencial, tento voltar no tempo e, me pergunto quem sou politicamente?

Hoje – “elite branca”, diriam os defensores do 13 e, eu, confirmaria: sim o sou, afinal tenho uma, não…… duas, bolsas da marca registrada da elite (juro, recuso-me a escrever o nome, porque não quero fazer marketing barato  😉  que imediatamente me conferem esse status (kkkkkkkkkk….)! E sim, sou branca, apesar de ter nascido lá em África, onde cresci e, posteriormente, fui usurpada da minha identidade! Mas só dessa (identidade), porque a educação, essa ficou e, foi o alicerce que me garantiu o status! Aliás, o de nossa família!

Mas deixem-me voltar no tempo: meus pais não frequentaram universidades (pelo menos, enquanto jovens, afinal, meu pai só se formou administrador quando já tinha netos, depois de ter feito supletivo, enquanto trabalhava duro, indo e vindo diariamente cerca de 60km. O sonho de ser médico,  inalcançável porque meus avós – ele torneiro mecânico/maquinista, ela costureira não tiveram dinheiro para o mandar para Portugal estudar, foi concretizado por esta que aqui escreve ). Apesar dessa realidade, virei elite!

Pois é, mas meu discurso é social, cresci lendo Marx, Lenin, Trotsky e outros, enquanto sofria a angústia de ter meu primo querido e idolatrado atrás das grades por também defender as igualdades. Entrei numa prisão, pela primeira vez, aos 12 anos e jurei nesse dia, que eternamente lutaria para ter asas e poder garantir minha liberdade, e assim, dentro do possível também a dos outros. A mesma liberdade que me foi tolhida por uma guerra em prol das igualdades, com a ajuda da esquerda Cubana e da antiga URSS.

Porém, terminada a guerra, o povo coitado está mais miserável do que nunca e a elite, sim  ELITE mais rica do que sempre. A mulher mais rica de África é exatamente a filha do eterno presidente de Angola (ops….qualquer similaridade com o Brasil, é mera coincidência da história socialista).

Foi com esse foco em mente, que lá pelo  início dos anos 80, eu estudante de Medicina, sentei-me na primeira fila de um dos auditórios do ICB da UFMG para ouvir o líder sindicalista que surgia para o futuro, no Brasil caminhando a passos lentos, tentando sair da ditadura. Nesse dia, meu idealismo foi efémero, pois em poucos minutos de discurso, e para espanto de meus colegas que conheciam meu interesse acirrado sobre o tema, saí da sala e afirmei: esqueçam, esse cara é uma farsa, além de ser absolutamente despreparado! Preciso dizer algo mais???

Sim, sou elite com muito orgulho, porque a educação e o trabalho (pois é, trabalho desde os 17, e por isso, já posso me aposentar por tempo, só não tenho idade)  proporcionaram-me estar onde estou, sem esmola.  Obviamente, o mérito é muito mais dos meus pais que a despeito de tudo que perderam, lutaram em solo estrangeiro, sozinhos e já não tão jovens,   almejando nos ensinar a plantar para poder colher, posteriormente!

É isso, país que precisa dar esmola, garante o futuro na mediocridade da dependência social, tal qual o antigo coronelismo. Será por isso que os apoios políticos do atual governo são exatamente com os representantes desse tempo que  até há 12 anos atrás eram tão criticados? Não dá para acreditar que esquerda combina com Maluf ou Sarney!!!! É absolutamente hilário!  E com tudo isso, minha angústia só aumenta, pois tenho pavor da máxima: o povo tem os governantes que merece!

Eu não mereço! A sorte está lançada, que Deus nos ilumine!

 

1 comentário para Uma palavra resume meu sentimento: angústia!

  1. Gabriel Thiers Vieira comentou:

    Como seu aluno, parabenizo-a pelo depoimento. Fico triste com os olhares de alguns colegas quando me veem com o 45 no peito, como se quisesse negar um prato de comida a um pobre. Infelizmente, há uma visão distorcida acerca das prioridades para o país. Um grande abraço.

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