A ilusão do corpo “ideal” a qualquer custo, até quando?

November 30th, 2017 por

Esta semana nos deparamos com a história de um paciente, do sexo masculino, operado para corrigir a ginecomastia (mamas grandes no homem). A história que acabou bem poderia ter resultados piores. Então aí vai o relato de caso:

Paciente A.S.M., 28 anos, sexo masculino, procura cirurgião plástico por dor em região do mamilo esquerdo e crescimento da gordura em ambos os músculos peitorais (peito aumentado). Relata início da dor há 2 semanas, após uso, durante cerca de 9 semanas, de testosterona intramuscular   (hormónio masculino). Tinha como objetivo aumentar a massa muscular rapidamente.

O hormônio foi oferecido e vendido pelo instrutor de sua academia, sem que o paciente fosse examinado ou orientado por um médico. O jovem era previamente hígido, não usava nenhum medicamento constantemente e não reportava qualquer alergia medicamentosa, sem relato de outras doenças. Ao exame físico foi identificada massa de textura glandular e tecido adiposo (gordura) em ambas as regiões peitorais, sendo à esquerda também foi visto nódulo de cerca de 2cm de diâmetro, com textura mais endurecida, móvel e doloroso à palpação. À ultrassonografia comprovou-se tecido glandular mamário em ambos os lados e pequeno nódulo glandular, não aderido a planos profundos, de cerca de 2,3 cm em região perimamilar esquerda.  Assim, o  diagnóstico ginecomastia foi comprovado, tendo sido proposta a operação para correção.

O procedimento cirúrgico foi realizado com anestesia geral . O paciente permaneceu internado no hospital por um dia e orientado a voltar sete dias depois.

Em suma, efeitos colaterais de um desejo para um corpo “ideal” de forma rápida resultaram na ginecomastia, nos riscos associados ao procedimento cirúrgico e anestesia geral, além dos outros potenciais riscos dos eventos adversos associados ao uso de hormónios. Até quando a necessidade da “falsa beleza” extrapola o preço a ser pago?

E onde anda a responsabilidade de quem oferece e vende sem a mínima condição para tal? Infelizmente, isso  é corriqueiro nas academias de ginástica. Até quando? E a ética dos profissionais da educação física?

Texto elaborado pela estudante de Medicina Lígia Brenck, sob minha supervisão.

 

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