You are lucky, m’am (senhora, você tem sorte)!

March 2nd, 2017 por

You are lucky, m’am (senhora, você tem sorte)!

Estas foram as palavras que o policial de fronteiras, no aeroporto de Islamabad, proferiu e que selaram a permissão para entrar no Paquistão, depois de quase uma hora de espera para saber se seria colocada no voo de volta para Doha ou se poderia dar a minha conferência, programada para dentro de duas horas.

Sim, tenho sorte ou Deus olha muito bem por mim ou as duas opções (sou tendenciosa a acreditar na última). A cada dia que termina, agradeço pela fantástica benção desse momento e por ser iluminada para viver as experiências que me têm sido proporcionadas ou as escolhas que tenho feito. A vida é feita de opções, sem dúvida, e eu decidi ir ao Paquistão, contra a opinião de quase 100% do mundo ao redor.

Antes de embarcar, certifiquei-me sobre toda a documentação necessária: carta convite, passagem e obrigatoriedade de visto. Liguei para a Embaixada em Brasília duas vezes e enviei mensagem confirmando que tudo estava ok. Sim, tudo dentro dos conformes, garantiram-me. Por fim, em Istambul, a funcionária da Qatar (a propósito, não era para viajar com esta companhia, mas isto será tema de outro “post”) confirma que devo adquirir o visto à chegada em Islamabad.

Desembarco…..primeira dúvida: estou num aeroporto militar ou civil?

Civil (mas com gente armada por todos os lados, tal qual quando voltei a Angola ou quando estive em El Salvador, há muitos anos atrás), velho, sem mangas de desembarque, feio, sujo, com gente dos mais variados tipos (aparências, vestes, comportamentos) e, sem imigração computadorizada (frio na barriga).

Digo à policial de cara fechada “preciso adquirir o visto”.

Manda-me passar e ir à sala designada para o fazer. Outra policial, esta com jeito super simpático, começa à procura do livro de registros (segundo frio na barriga – afinal a sala é uma “zorra” de livros e papeis espalhados, sem computador ou qualquer nuance de que estamos no século XXI).

Procura daqui, olha dali e, finalmente, encontra o que busca. Mas….infelizmente, informa-me “seus documentos não estão aqui. Você não pode adquirir o visto”. Mostro os que tenho comigo.

Diz-me “sim, mas não chegaram para nós do ministério de relações exteriores”.

– Ok, que faço então, indago.

– Vou conversar com o meu chefe, responde.

Retorna com o chefe, que me pergunta “tem algum contato aqui?”

Claro que tenho. Afinal, minha experiência de viajante tarimbada havia-me feito pedir os telefones de, pelo menos, duas pessoas locais. Informo o número do Dr. Nadim.

A conversa agora é em Urdu e, enquanto isso observo o entorno para comprovar que cheguei a algures, ainda no tempo, em meados do século XX.

O diálogo telefónico termina e, Akhtar (nome do chefe) diz-me: “vamos ver se é sortuda. Seus amigos vão tentar enviar-me os documentos por mensagem e, assim poderá conhecer o nosso país”.

Penso “obrigada mundo moderno e celulares. Mas, na verdade, estou aqui para dar conferência e não para fazer turismo”.

Mantenho minha optimística e bem humorada conversa, num Inglês difíiiiiiiiicil com Saidaham (a policial que me atendeu primeiramente), enquanto o funcionário da Qatar trás a minha mala e também quer saber o que está a acontecer.

A este, pergunto-lhe “a que horas parte o voo de volta?”. Afinal, não quero mofar neste aeroporto até à próxima madrugada, quando outro avião da Qatar sairá.

Finalmente, o telefone toca, Akhtar contesta, sorri para mim e diz “You are lucky, m’am”.

Assim simples, tudo se resolveu (será???) com a promessa de que os documentos chegarão (não, ainda não chegaram. Descubro mais tarde, que um monte de telefonemas daqui e dacolá resolveram a situação).

Saidaham cola o visto. Tiro “selfies” com eles, convido-os para a minha palestra (sei lá porque!!!!), volto ao balcão da imigração e, não estou nem aí para a cara fechada da policial. Por fim, posso entrar no Paquistão para mais uma aventura.

Akhtar pede-me o número do meu telefone.

Ish, que faço???? Eis a dúvida ou a escolha. Dou ou não?

Prevalece a desconfiança, afinal, a incerteza e o medo (anos e anos de bombardeio de que aqui é terra complicada) prevalecem.

Dou….incompleto, sem o 9 adicionado há algum tempo, no Brasil. Minha teoria da infância – “nove, noves fora nada” – prevalece.   Traduzo, sem esse 9, tudo é nada. Mas, eu não menti!

Aguardem, cenas dos próximos capítulos! E, de fato, sou uma mulher de sorte!

 

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